Pode anotar ai: No dia 10 de Fevereiro de 2007, mais de 5.000 pessoas, tiveram a felicidade de ver um dos shows mais especiais, e para muitas, o melhor, de suas vidas. Pode não parecer, mas é verdade, afinal Deftones é um caso a parte. Você acha gente que gosta da banda em tudo quanto é canto, mas em pouca quantidade. Com o quinto álbum, o aclamado "Saturday Night Wrist", lançado em Novembro de 2006, os californianos vão cada vez mais perdendo o rótulo de new-metal, que fez com que tanta gente olhasse torto para a banda sem nem ao menos terem escutado com atenção. Afinal, a banda esta longe de ser somente new-metal.
Não é à toa, que você acha gente curtindo Deftones, seja aonde for, no meio new-metal, hardcore, metal, gótico, entre outros. È uma das raras bandas que consegue se inovar, sem perder o tom que da a identidade a banda. Por mais diferente que soem elas, de álbum a álbum, quando você escuta, você sabe: É Deftones.
Eles já tinham vindo ao Brasil uma vez, tocaram na ultima noite do Rock in Rio 3, com Red Hot Chili Peppers e Silverchair, para o maior publico deles até hoje, 220.000 pessoas. Isso ocorreu na turnê do terceiro álbum, que já vendeu mais de um milhão de cópias, o "White Pony".
Após seis anos e 19 dias de espera, finalmente, nós brasileiros conseguimos ver outro show deles, depois de passar anos, vendo especulações de que a banda ia acabar, foi um alivio, foi como se livrar de algo engasgado, a vontade de ver um show foda, é!, isso mesmo, FODA!! Outras palavras, mais formais e corretas, não expressariam o quão foda foi esse show. Em mais de duas horas de show, eles mostraram o porquê são respeitados por onde passam, e porque tem o que chega a ser praticamente uma pequena religião, de seguidores insanos. E como a banda não tem ideologias e nada do tipo, fica claro, que o fanatismo é pela musica, pela boa sensação, de alivio, prazer, dor, raiva, angústia, frustração, sexo, loucuras e etc. que elas nos proporcionam. Mas antes do prazer, lógico, tínhamos que ter um certo sofrimento, para o show bom, parecer melhor ainda. O sofrimento, semelhante ao causado pelo O Surto, no Rock in Rio 3, foi proporcionado pela banda Adrem, de Leme, interior de SP.
Mesmo eles dizendo ter nove anos de estrada, lançaram só no fim do ano passado um CD de estréia, e ainda assim, tocam covers completamente desnecessários, de Coal Chamber a Slipknot, parecendo uma banda totalmente inexperiente e sem repertório ou show com identidade própria. Uma banda totalmente amadora, surgida do nada, só podia resultar numa coisa, desagrado de todos. Mas depois, foi-se descoberto que a banda desembolsou uma quantia superior a uma dezena de milhares de reais para tocarem com o Deftones, que foi pago a organização, Mondo Entretenimento. Desagradável ver isso, sabendo que muitas outras bandas por ai, mereciam, por respeito aos seus trabalhos e que a galera certamente iria gostar. Mas enfim, após o show do Adrem e da pausa, as luzes foram apagadas, tremor geral da galera, e um som ambiente, do M83 rolando pelo Via Funchal, que nessa hora, já se encontrava cheio, com mais de 5.000 pessoas. O publico, foi maior do que a maioria dos shows que já vi lá, o que surpreendeu, pois muitos esperavam casa não tão cheia, somente porque os ingressos não chegaram a se esgotar, como ocorre em outros shows grandes, vide Coldplay.
E eles, o publico, não decepcionaram, agitaram do começo ao fim, teve gente chorando, esperneando, gritando, de joelhos, e outras em estado de choque, inertes, totalmente arrepiadas. O set começou já com a furiosa Korea, e logo emendou-se Knife Prty, muito esperada, pra delírio geral da galera, na seqüência, Back To School, que dificilmente eles tocavam, mesmo quando era o single da banda, e novamente, publico cantando junto aos prantos, depois tocaram Feiticeira, que não poderia faltar, já que esse nome foi inspirado na ex-gostosa Joana Prado e pra fechar a seqüência de cinco musicas seguidas do white pony, Digital Bath. Somente depois, é que começaram a diversificar o set e a tocar de outros álbuns, tocaram Be Quiet And Drive (Far Away), seguida de My Own Summer (Shove It), ambas singles do segundo álbum, Around The Fur (1997), dois sons que iniciaram boa parte dos fãs a gostarem de Deftones, então, era de esperar a comoção do publico, casais se amando, muleques furiosos moshando, uma beleza de show. A qualidade do som, estava excelente, com timbres foderosos e ainda uma iluminação toda especial da banda, é show mesmo, não é só uma banda tocando.
Durante todo o tempo, chino moreno, correu de um lado para o outro, foi pra grade, berrou, tocou e sem perder o ritmo. A empolgação da banda era latente, Chi Cheng, o baixista, sorria feliz para o publico, e distribuia água e cervejas aos apertados na grade. Stephen esmerilava sua guitarra e Abe, sempre sem noção, descia o braço, de forma complexa e destruidora na sua bateria. Frank, o dj, como sempre, só na calmaria, de boa, controlando efeitos e camadas de sons. Conforme o show ia seguindo, sons do Adrenaline (1995), primeiro álbum da banda, também surgiram! Em uma pancada só, emendaram Engine Nº9 e Nosebleed. E é incrível ver como a banda não perde a intensidade em nenhum momento. Beware The Water foi a primeira do ultimo álbum, o Saturday Night Wrist (2006) a ser tocada, que juntamente com Passenger, foram as que deram um toque sombrio e tempo pra galera respirar. E somente na 13a musica, é que tocaram algo do quarto álbum, o Deftones (2003), álbum menos expressivo e sombrio da banda, mas que ainda assim é muito bom e nos garantiram bons momentos no show, como com a Bloody Cape e Minerva, faltou Hexagram, mas ok. Tivemos Rats!rats!rats!, musica esquizofrência que deixou a galera frenética. Pra finalizar o show, tivemos Bored e um bis que foi iniciado com Minerva seguido por Root e 7 Words com Birthmark emendada no meio, enfim, impecável, perfeito. E como se isso já não bastasse, ainda voltaram para outro bis e fecharam com chave-de-ouro, tocando Change (In The House Of Flies) e Head-Up, que na versão do álbum, conta com o back-vocal de ninguém menos que Max Cavalera (Sepultura/Soulfly).
Foi um show repleto de gente de bandas também, deu pra ver a galera do Sepultura, CPM 22 e até do B5 circulando lá, para ver o show. Pelos fãs da banda, da pra notar o tamanho da diversidade que havia lá. Depois, com luzes acesas, publico saindo e ainda escorrendo suor (e lágrimas de alguns), só nos restou nos conformar sabendo que tínhamos visto um show memorável, pra ser sempre lembrado, e nos orgulharmos de gostar de uma banda assim, de respeito, que faz o que gosta, com paixão e intensidade.
Com esse show, ficou claro que o Deftones está no seu auge, e eles devem saber disso também e estão aproveitando. A turnê pela América do Sul, passou por diversos paises, e já seguiram para outra no Japão, depois Austrália, Europa e voltam aos EUA, para finalizarem depois no Canadá. Enquanto isso, a banda já vai compondo para um possivel sucessor do Saturday Night Wrist.