SomeNoise
A verdade da camera ocular

October, 2007

The Casualties @ Hangar 110 - 20/10/2007

Postado por Guilherme Marce... em seg, 22/10/2007 - 16:41

Ver um show do The Casualties é especial por diversas razões, uma delas é a de que não é como ver uma banda clássica das antigas, ou uma banda reformulada, é ver o que está rolando de melhor no estilo neste momento, os caras na mais intensa pegada de seus sons, com raiva, pulos altos, riffs rápidos e punhos ao ar, mesmo a banda já tendo mais de 15 anos de carreira. Esta turnê ainda gerou expectativas porque já haviam cancelado uma no começo do ano, e o Hangar 110 passou uns dias interditados. Logo, privilegiados os que foram conferir, que bateram cabeça, cantaram junto, e deram trabalhos aos seguranças na hora de subir no palco.

Mas é que todos queriam cantar juntos alguns hinos como “Under Attack”, “On The Frontiline”, “Fight For Your Life”, “Punx & Skins”, “Tomorrow Belong To Us”, “Casualties Army”, o cover de “Blitzkrieg Bop” dos Ramones, entre outras, que fizeram boas rodas se abrirem, com gente voando de todas as direções do palco. Na hora de “Riot” até o vocal do Calibre 12 subiu e cantou com eles.

O show não foi demorado, nem curto, mas foi intenso do momento antes de as cortinas se abrirem até o fim, uma hora depois. No repertório, músicas de seus diversos álbuns e não só do mais atual deles, o "Under Attack", que nunca é demais lembrar, foi produzido por Bill Stevenson (Descendents, Black Flag, ALL). Todas as músicas executadas com maestria, e muita energia. Jorge, o vocal, só foi trocar algumas palavras com o público, várias músicas depois de ter começado o show, trocou algumas palavras em espanhol, e cantou La Cucaracha, "Ya no quieres caminar, Porque no tienes, Porque le falta, Marihuana que fumar".

Quando a banda tocou o que disseram ser a última música e saíram do palco, o publicou começou a entoar o hino "Punx United". Os caras não demoraram e a banda voltou aos poucos já pegando o ritmo e continuando a música, cena linda. Depois disso, tocaram a vigésima primeira musica do show e ultima pra valer, "Unknown Soldier", e tchau. A banda tem mesmo muita energia, e não é a toa que é das melhores, representando o gênero atualmente.

A domingueira ainda contou com abertura da banda Rudes, e do punk sujo e garageiro do Nostalgia 77, com um set repleto de coisas boas. Até intimaram o pessoal do Porcos Cegos a subir no palco e tocar com eles, intimação cumprida. Ambas as bandas fizeram ótimos shows, não deixando a galera entediada, só instigando e tocando um bom som para a alegria de todos os presentes, no confortavelmente cheio Hangar 110, que neste fim de semana abrigou mais este show, que foi especial para muita gente.

Cannibal Corpse @ Hangar 110 - 19/10/2007

Postado por Guilherme Marce... em dom, 21/10/2007 - 16:38

Feios, encardidos e mal encarados, os norte-americanos do Cannibal Corpse, já com quase 20 anos de carreira, não decepcionaram, não falaram fino, tocaram ofensivamente e desceram a bicuda nos malas, enquanto esmerilhavam sons bestiais e ensurdecedores nesta terceira passagem da banda pelo Brasil, desta vez, no Hangar 110 lotado e com um equipamento de som bom, o suficiente pra fazer todo mundo sair com zumbidos no ouvido.

Também deixaram claro que rolaria músicas de todos os álbuns, o show contou com vários clássicos, como “Staring Through the Eyes of the Dead” (The Bleeding, 1994), “Make Them Suffer” (Kill, 2006), “Covered With Sores” (Butchered At Birth, 1991), “Pit of Zombies” (Gore Obsessed, 2002), esta até garantiu um dos melhores momentos, abrindo um mosh pit enorme, entre tantas outras.

O público estava insano, cuspindo fogo do capeta em um Hangar 110 abarrotado, estava difícil de andar lá por dentro, e o calor, nem precisa comentar. Corpsegrinder (vocalista que até o assobio deve ser gutural, mas que a mãe ainda deve preferir chamá-lo de George Fisher) fazia cara de mal a todo o momento, rodava a cabeleira, mas apesar do jeitão, dava para perceber que ele e a banda estavam empolgados com a presença do público, tanto que foi, que de final, durante a música “Stripped, Rapped and Strangled", ele mandou um stage dive, enquanto o público se quebrava e cantava junto o som, cena foda, já está na lembrança. Quem participou, disse que foi a melhor passagem deles pelo Brasil, até então.

A noite ainda tinha contado com outras duas bandas que fizeram a abertura, primeiro a Diabolical Possession, que eu não vi e não conheci ninguém que viu, porque eles tocaram quando o público ainda estava começando a entrar, pouca gente parou para prestar a atenção. Mas o Chaosfear que veio depois, já começou a dar uma acordada na galera, a enaltecer os ânimos do metal, e preparar o terreno para o Cannibal Corpse. A banda é das que valem a pena dar uma conferida, thrash metal dos bons.

Em mais uma noite de celebração, quem gosta de metal, sabe que ali rolou o que há de primordial em death metal, ao vivo, sem frescuras, Corpsegrinder também mandou o recado "Keep supporting Death Metal !", e o público, que ia desde o primo novato que chegou no metal depois de viciar em Ozzy jogando Guitar Hero até os tiozões que faziam troca de K7 e arrumavam garotas e raridades na seção de cartas da Roadie Crew, prometeram atender o recado.

Vale citar que apesar de ser um show de death metal, brutal com todo mundo cantando letras sobre estupro, morte, bebês dilacerados, corpos estripados, funerais macabros, e se quebrando nas rodas, houve respeito e camaradagem entre o público, além de muito metal.