Icone definitivo do punk/hardcore, criadores de sonoridades e atidudes unicas, os norte-americanos do Bad Brains desembarcaram no Brasil pela primeira vez, e olha que já são quase 30 anos de banda.Quem foi sabe o que viu, um show fora do comum, o tipo de show que a gente só vê de tempos e tempos, não aquele que você só volta pra casa com sensação de dever cumprido e mais uma lembrança. Foi um show para descarregar tensões e viver o amor e a união através do punk/hardcore. O show gerou diversas discussões e duvidas, quando se soube que o vocalista original do Bad Brains, não viria com a banda. É de se entender. HR é um senhor já bem doido da cabeça e sem a mesma disposição para tacar fogo em um recinto hardcore. Para a missão de substituir o HR, veio Israel Joseph-I, substituto natural e que já fez parte do Bad Brains, inclusive gravando o album Rise, em 1993.
Muita gente torceu o nariz, mas vamos pegar um exemplo, se você fosse hoje ver a final da copa do mundo, quem você iria querer ver escalado, o Pelé ou o Ronaldinho? O HR é como o Pelé, um ser unico e insubstituivel, mas que já não suporta mais o pique, ainda mais em se tratando de Bad Brains no Brasil, aonde não tem como um show desse não ser insano, e Israel Joseph-I deu conta do recado, assim como o Ronaldinho, ele não é um Pelé, mas traz a taça. Dr. Know, o guitarrista que aqui ficou mais conhecido como "Martinho da Vila com dreadlocks" devido a semelhança, segura a bronca ainda, como se fosse o capitão do time, e o que ele mais gosta, é um bom hardcore enquanto HR é um cara que hoje em dia, prefere o lado reggae do Bad Brains, então nós deviamos era agradecer pelo vocalista ter sido o Israel Joseph-I, pois com ele a banda vários de seus classicos, o show já começou com uma sequência avassaladora: Attitude, Right Brigade e Sailin On.
E desde o momento que começou, até o fim o publico comemorou o momento como se tivesse sido a vitória do Brasil na copa do mundo, rodas enormes se formavam com todo tipo de apreciador de Bad Brains se quebrando lá, punks, rastafaris, straight-edges, nerds, metaleiros, skins, todos juntos. Na cara do palco, debruçado nos amps, cantando junto, feliz como uma criança, estava Rodrigo Lima do Dead Fish, pela roda, gritando, tinha o Fábio do Paura, no camarote lá em cima, João Gordo do Ratos de Porão e diversos outros que sabendo da importância de tal show, não ficaram em casa reclamando da ausência do HR não. O fluxo de stage-diving também era grande e gente voava para todos os lados, sem parar, até Israel Joseph-I se jogava no meio da galera.


Para dar uma recuperada no folego, eles tocavam alguns de seus reggaes, até para o pessoal pode acender um também, e depois era pancadaria de novo. O local do show também ajudou, tinha uma boa estrutura, o som estava legal, o publico não estava abarrotado, tinha balcões nas laterais de onde dava para ver o show sentado como se estivesse em um camarote, e palco na altura certa para bons saltos e apreciação do show.
Da próxima vez, não desperdicem tal oportunidade se forem possiveis a vocês. Elas podem não acontecer de novo nunca...