SomeNoise
A verdade da camera ocular

April, 2008

New York Dolls @ Hangar 110 - 10/04/2008

Postado por Guilherme Marce... em sab, 12/04/2008 - 16:50

Essa segunda semana de Abril foi realmente especial em São Paulo, em quatro dias, pudemos ter dois de Jamaica com o Skatalites, depois se quebrar com Bad Brains na quarta e se soltar com New York Dolls na quinta.

Já que o New York Dolls está para o punk, glam, enfim, para o rock geral assim como o Rolling Stones esta para o rock em geral, mas só que as bonecas em nivel underground A banda foi formada em 1971, década em que fizeram nova iorque ferver e em 2004, membros da formação original voltaram a se reunir, com um empurrãozinho do mestre e fã mór da banda, Morrissey, ex vocalista do The Smiths e ex presidente do fã clube inglês da banda nos anos 70.

Havia a duvida se o Hangar 110 era o lugar ideal para fazer um show com tamanha importância. E sim, o Hangar 110 foi o lugar ideal, não teria a mesma graça se fosse em outro. A banda se fez tocando no Max Kansas City e no CBGB's em Nova Iorque, seus melhores shows eram em inferninhos underground. Então o, lugar de importância semelhante no Brasil, o Hangar 110 ainda deu um tapa no barracão para receber o evento, como colocar grades na frente do palco, cortinas rosas e brilhantes de fundo e publico controlado para ninguém ficar abarrotado, acabou sendo ideal para criar o clima de um show bonequeiro. Algumas coisas poderiam ter sido melhores, como menos atraso para o começo dos shows, que fez com que pessoas tivessem que deixar de ver o show até o final para conseguirem voltar pra casa a tempo, mas tudo bem.

Para a abertura, a responsa ficou com os paulistanos do Forgotten Boys, e como já não é novidade para ninguém, considerados uma das melhores bandas de rock do Brasil, fizeram um show a altura. Tocaram diversas musicas novas que já soaram como o anuncio de que o rock vai pegar fogo em breve com mais um lançamento deles.

Após uma boa espera, lá por volta das 23:00 (ou é, bem atrasado, ainda mais em se tratando de show no Hangar 110), abrem-se as cortinas e as bonecas já começaram a botar o Hangar 110 para suar, suar muito, porque parado não teve como ficar, David Johansen um dos dois remanescentes da formação original, não tem como não ser comparado ao Mick Jagger, é velho, usa calça coladissima e sem cueca, tem um bocão enorme, faz danças extravagantes e fala de amor, apesar de não parecer lá muito amoroso, mas sim alguém chapadão. Sylvain, o outro remanescente é quem assume a função de animar o publico, com seu jeito meio italiano bonachão, gordinho feliz e carismático,é quem puxava o ritmo do show como um todo, com auxilio dos outros integrantes davam a energia pra manter o vovô em pé e para o publico responder a altura. Presente na banda ainda estava um ex-baixista,do grupo clássico do glam rock, Hanoi Rocks, o Sami Yaffa. O show foi até melhor que o esperado, e com certeza vai ficar marcado na história, de quem foi, do Hangar 110 e da época, por ter sido um dos melhores shows internacionais no meio dessa safra de diversos que tem acontecido nesses tempos.

Bad Brains @ Eazy-E - São Paulo - 09/04/2008

Postado por Guilherme Marce... em sex, 11/04/2008 - 16:34

Icone definitivo do punk/hardcore, criadores de sonoridades e atidudes unicas, os norte-americanos do Bad Brains desembarcaram no Brasil pela primeira vez, e olha que já são quase 30 anos de banda.Quem foi sabe o que viu, um show fora do comum, o tipo de show que a gente só vê de tempos e tempos, não aquele que você só volta pra casa com sensação de dever cumprido e mais uma lembrança. Foi um show para descarregar tensões e viver o amor e a união através do punk/hardcore. O show gerou diversas discussões e duvidas, quando se soube que o vocalista original do Bad Brains, não viria com a banda. É de se entender. HR é um senhor já bem doido da cabeça e sem a mesma disposição para tacar fogo em um recinto hardcore. Para a missão de substituir o HR, veio Israel Joseph-I, substituto natural e que já fez parte do Bad Brains, inclusive gravando o album Rise, em 1993.

Bad Brains ao vivo no Brasil

Muita gente torceu o nariz, mas vamos pegar um exemplo, se você fosse hoje ver a final da copa do mundo, quem você iria querer ver escalado, o Pelé ou o Ronaldinho? O HR é como o Pelé, um ser unico e insubstituivel, mas que já não suporta mais o pique, ainda mais em se tratando de Bad Brains no Brasil, aonde não tem como um show desse não ser insano, e Israel Joseph-I deu conta do recado, assim como o Ronaldinho, ele não é um Pelé, mas traz a taça. Dr. Know, o guitarrista que aqui ficou mais conhecido como "Martinho da Vila com dreadlocks" devido a semelhança, segura a bronca ainda, como se fosse o capitão do time, e o que ele mais gosta, é um bom hardcore enquanto HR é um cara que hoje em dia, prefere o lado reggae do Bad Brains, então nós deviamos era agradecer pelo vocalista ter sido o Israel Joseph-I, pois com ele a banda vários de seus classicos, o show já começou com uma sequência avassaladora: Attitude, Right Brigade e Sailin On.

E desde o momento que começou, até o fim o publico comemorou o momento como se tivesse sido a vitória do Brasil na copa do mundo, rodas enormes se formavam com todo tipo de apreciador de Bad Brains se quebrando lá, punks, rastafaris, straight-edges, nerds, metaleiros, skins, todos juntos. Na cara do palco, debruçado nos amps, cantando junto, feliz como uma criança, estava Rodrigo Lima do Dead Fish, pela roda, gritando, tinha o Fábio do Paura, no camarote lá em cima, João Gordo do Ratos de Porão e diversos outros que sabendo da importância de tal show, não ficaram em casa reclamando da ausência do HR não. O fluxo de stage-diving também era grande e gente voava para todos os lados, sem parar, até Israel Joseph-I se jogava no meio da galera.

Bad Brains ao vivo no BrasilBad Brains ao vivo no Brasil

Para dar uma recuperada no folego, eles tocavam alguns de seus reggaes, até para o pessoal pode acender um também, e depois era pancadaria de novo. O local do show também ajudou, tinha uma boa estrutura, o som estava legal, o publico não estava abarrotado, tinha balcões nas laterais de onde dava para ver o show sentado como se estivesse em um camarote, e palco na altura certa para bons saltos e apreciação do show.

Da próxima vez, não desperdicem tal oportunidade se forem possiveis a vocês. Elas podem não acontecer de novo nunca...