Feios, encardidos e mal encarados, os norte-americanos do Cannibal Corpse, já com quase 20 anos de carreira, não decepcionaram, não falaram fino, tocaram ofensivamente e desceram a bicuda nos malas, enquanto esmerilhavam sons bestiais e ensurdecedores nesta terceira passagem da banda pelo Brasil, desta vez, no Hangar 110 lotado e com um equipamento de som bom, o suficiente pra fazer todo mundo sair com zumbidos no ouvido.
Também deixaram claro que rolaria músicas de todos os álbuns, o show contou com vários clássicos, como “Staring Through the Eyes of the Dead” (The Bleeding, 1994), “Make Them Suffer” (Kill, 2006), “Covered With Sores” (Butchered At Birth, 1991), “Pit of Zombies” (Gore Obsessed, 2002), esta até garantiu um dos melhores momentos, abrindo um mosh pit enorme, entre tantas outras.
O público estava insano, cuspindo fogo do capeta em um Hangar 110 abarrotado, estava difícil de andar lá por dentro, e o calor, nem precisa comentar. Corpsegrinder (vocalista que até o assobio deve ser gutural, mas que a mãe ainda deve preferir chamá-lo de George Fisher) fazia cara de mal a todo o momento, rodava a cabeleira, mas apesar do jeitão, dava para perceber que ele e a banda estavam empolgados com a presença do público, tanto que foi, que de final, durante a música “Stripped, Rapped and Strangled", ele mandou um stage dive, enquanto o público se quebrava e cantava junto o som, cena foda, já está na lembrança. Quem participou, disse que foi a melhor passagem deles pelo Brasil, até então.
A noite ainda tinha contado com outras duas bandas que fizeram a abertura, primeiro a Diabolical Possession, que eu não vi e não conheci ninguém que viu, porque eles tocaram quando o público ainda estava começando a entrar, pouca gente parou para prestar a atenção. Mas o Chaosfear que veio depois, já começou a dar uma acordada na galera, a enaltecer os ânimos do metal, e preparar o terreno para o Cannibal Corpse. A banda é das que valem a pena dar uma conferida, thrash metal dos bons.
Em mais uma noite de celebração, quem gosta de metal, sabe que ali rolou o que há de primordial em death metal, ao vivo, sem frescuras, Corpsegrinder também mandou o recado "Keep supporting Death Metal !", e o público, que ia desde o primo novato que chegou no metal depois de viciar em Ozzy jogando Guitar Hero até os tiozões que faziam troca de K7 e arrumavam garotas e raridades na seção de cartas da Roadie Crew, prometeram atender o recado.
Vale citar que apesar de ser um show de death metal, brutal com todo mundo cantando letras sobre estupro, morte, bebês dilacerados, corpos estripados, funerais macabros, e se quebrando nas rodas, houve respeito e camaradagem entre o público, além de muito metal.