O tempo é uma das coisas que mais intrigam a gente, parar para pensar no tempo, como ele é, aonde nos leva, o que muda e etc, pode nos levar a loucura. Eu parei pra pensar no tempo, e a única conclusão a que cheguei, é que é besteira levar as coisas sério demais, inclusive pensar no tempo. Com isso em mente, decidi aproveitar melhor meu tempo, fazendo coisas que faço por paixão, e isso inclui escrever, e como minha paixão mor é o rock, aqui estamos. Notem que os títulos dos filmes, já estão linkados para a página do torrent, então se você for malandro nos esquemas da internet, vai ter o prazer de poder baixar e assistir ai no conforto do lar, sem perder tempo procurando por ae. É esse bom uso do nosso tempo que nos faz realizar coisas, nos deixa eternamente nessa sensação de busca de conhecimento, instigados pela curiosidade, guiados pela perseverança, como se estivéssemos puxando o fio de lã de um novelo sem fim, mas usando essa lã para construir algo.
Foi nesse espírito que Joe Strummer foi além do mundo da musica, e acabou atuando em diversos filmes de vários gêneros, ele era um cara que mesmo mantendo a sua tradição como um militante, era apaixonado pelo que fazia e bastante carismático.
A primeira participação na telona veio com Rude Boy, um filme, bem...humm....punk!, porque a idéia era permitir que a banda apresentasse ela mesma, da forma que quisessem. Lançado em 1980, o filme conta a história de um fã da banda, que acaba virando roadie. Tudo recheado de boas performances do The Clash, com Joe Strummer já mostrando sua desenvoltura frente ás câmeras, com sua verborragia política, sempre de maneira não forçada, o natural dele. Eles gostaram tanto do resultado que resolveram continuar a empreitada, com o Hell W10, dirigido e escrito pelo próprio Joe Strummer, que junto com a banda, também atua. O filme em si, é mais um experimento do que qualquer coisa, não tem nada de grandioso ou especial, é em preto& branco, tem apenas 49 minutos e poucos personagens em uma história envolvendo um atrito entre dois caras por uma garota, sendo o namorado dela um traficante/cafetão/criminoso. O bom, é que mesmo se você não gostar do filme, ao menos terá passado 49 minutos escutando The Clash. Esse filme foi incluido no dvd “Essential Clash” como bônus.
O estilo da banda, carismáticos e sagazes, chamou a atenção até do renomado diretor Martin Scorcese, que queria eles no filme Gangues de Nova Iorque, mas a banda acabou apenas participando do filme O Rei da Comédia, como punks de rua mesmo, juntamente com Don Letts e outros. Na época, a banda, era o foco principal de todos, mas com o fim do The Clash em 1985, Joe Strummer, começou a participar mais do meio do cinema, primeiro, como compositor de algumas musicas do filme Sid & Nancy, que conta a história do baixista do Sex Pistols, Sid Vicious com a groupie Nancy Spungen. Com isso, ele conquistou amizade do diretor Alex Cox, e consequentemente, se envolveu em dois de seus filmes. Primeiro, o Straight To Hell, e depois em Walker, para o qual ele compôs musicas. Em Straight To Hell, um faroeste punk fanfarrão, que também tinha no elenco nomes como Elvis Costello, Courtney Love, The Pogues e etc, Joe Strummer deu uma amostra do quão dedicado era para com seus trabalhos, jogando água com açúcar na cara, para se acostumar com as moscas em sua face sem ficar franzindo ou se retorcendo e também girando a pistola no dedo até esfolar, tendo que colocar esparadrapos.
Joe Strummer em seguida trabalhou com outros dois diretores que eram envolvidos na cena, com Robert Frank no Candy Mountain, aonde aparece também nomes como David Johansen, Jim Jarmusch, Tom Waits, e em seguida, fez um papel em Mystery Train (1989), do diretor Jim Jarsmuch, que conta a história de um casal de japoneses obcecados com a América dos anos cinqüenta, o que os fazem ir para Memphis, uma cidade americana aonde ele poderia ser um tipão daqueles, estilo Carl Perkins, ou James Dean. Joe Strummer não só aparece como fez a trilha sonora também.
No ano seguinte, ele fez a ponta no aclamado filme Contratei Um Matador Profissional, participação essa que você pode ver no vídeo abaixo:
Mas um dos filmes que ele parece ter gostado mais de atuar, foi o “Docteur Chance” uma surrealidade Francesa/Chilena, que ele foi filmar no Deserto de Atacona no Chile. Sobre o que era o filme, e pelo que passava Vince Taylor? (nome do Joe Strummer no filme e do compositor da musica Brand New Cadillac na vida real, que o Clash gravou um cover). Não da pra saber direito, o filme é um nada, não segue lógica alguma, não da razão ou motivo algum, parecendo mais um vídeo para mostrarem estilos do que uma história, e Joe Strummer achou legal isso. Quando o filme foi passado em uma mostra londrina, Joe Strummer foi ao palco com o diretor para responderem possíveis perguntas da platéia. Das mil pessoas presentes, nenhuma delas se arriscou a falar coisa alguma, foi um silêncio total, todos temiam parecer tolos ao tentar achar substância em algo que não havia. Mas pelo menos, tudo foi feito com muito estilo. Ele achava aquilo um soco no estômago do pessoal que adora fazer pose de que entende de tudo, de quem tece comentários como se estivesse entendido algo, quando na verdade não tinha significado algum.
Mas após o Docteur Change, ele fez apenas uma participação no obscuro filme francês “Question d'honneur” reaparecendo nas telas do cinema somente depois de falecido, em 2007, com o lançamento do documentário “Joe Strummer - The Future Is Unwritten”, uma celebração a sua pessoa feita pelo mesmo que dirigiu o documentário do Sex Pistols, o “The Filth and the Fury”. E que vale a pena ver, pois mostra imagens do Clash desde antes de assinarem contrato, e sempre acompanhando a história da vida de Joe Strummer, até mesmo com os Mescaleros.
Quem gosta de musica, e das idéias que podemos ter através dela, acompanhar a trajetória de alguém como Joe Strummer que sempre teve uma visão abrangente, sincera, humilde e inteligente, é algo que inspira.