Metric, The Go! Team, Fujiya & Miagiy @ Motomix Festival @ 28/06/08

Festivais em parques, ao ar livre, de fácil acesso, grátis, e principalmente com boas atrações são sempre bem vindos, e foi assim com o Motomix, que rolou no Pq. do Ibirapuera, ali no pátio do Museu AfroBrasil, boa escolha. Você esta lá, sabadão, um dia bonito e se depara com um festival de boa estrutura, grátis e boas atrações. É um presente que tem que ser apreciado por quem ao menos diz gostar desses sons.

Não vi as primeiras bandas, as nacionais, pelo que escutei no MySpace, aquela Nancy parece ser bem legal, e creio ter perdido um bom show. Mas de resto, é aquela coisa né, banda nacional sempre parece colocada nesses festivais como um favor. Da mesma forma que empresas contribuem para o meio-ambiente para fazer pose de boazinhas aos consumidores, os festivais colocam bandas nacionais em seus casts. Culpa de quem?
Do publico? que só quer saber dos shows principais e já chegam tarde ou nem se importam com os de abertura? Das bandas? com sons ruins, retrolavagem do que escutamos antes lá de fora? Dos organizadores? em nem sempre acertar na escolha, ou sempre colocando as bandas de favor, só pra aquecer o palco? Sei lá, já não me preocupo mais, e nem é necessário, nesses tempos atuais, já percebi que o certo é escutar, e assim, já vou ir sabendo quanto tempo passarei no bar, e quanto ficarei curtindo um rock.

Quando eu cheguei, havia um bom publico já, e o Fujiya & Miyagi tocava seus primeiros sons. De inicio, bem chato, um show quadrado, de musicas quadradas, paradas, só ficando bom quando com bateria de verdade, quando eles puxavam para o lado mais rock deles. Tinha visto por ae, que eles tinham fortes inflûencias de krautrock, mas não vi muita coisa dessa praia não hein ...

Mas enfim, depois de uma pequena pausa. O que me deixou contente, por estar apreciando um presentão grátis e sem atrasos ainda. Subiu um cara mala, daqueles tipo animador de plateia, locutor em festivais de rádio, e lembrou "wow, como tem gente agora hein!". É lógico, todo mundo tinha ido pra ver o The Go! Team e Metric, chegaram na hora e tudo encheu.

E chegaram na hora certa, o The Go! Team fez o melhor show. Alegre, divertido, espontaneo, cativante, tudo em um clima mágico. O The Go! Team é um mundo de fantasia divertido, cada membro da banda parece a encarnação de algum personagem de desenho animado infantil. A mágia criada com base em samplers e colagens, funciona ao vivo. No set composto por musicas de seus dois albuns, havia a diversidade de musicas calminhas, de menininhas, pegadas dançantes e até viagens sônicas, como uma versão cartoon do Sonic Youth. Uma das vocalistas tentava arrancar reações do publico, meio sem sucesso, mas beleza, talvez ela não tinha como entender o que estava rolando ali embaixo, porque vamos pensar...show grátis, ao ar livre, no ibirapuera. Flagrou? Imaginou o publico? O mendingo alucinado com sua cabana de cobertores dançando ao lado de meninas de vestidos de bolinhas, os maconheiros, manos do skate, manos do rap, manos das ruas, ciclistas, familias, turistas, o vovô, os turistas, os vendedores ambulantes, os catadores de latinhas, a galera do rock, tudo ali, misturado. Logo, as reações eram diversas, os comentários eram diversos e por ai vai, para quem é fresco e elitista, isso gera desconforto, e era notável a presença de gente desconfortavel com a situação, fazendo cara de nojo, assim como era notável a presença de muita gente que nem fazia idéia do que eram aqueles sons e aquelas bandas e pararam para apreciar, de mente aberta, na maior boa vontade e ainda sairam gostando, justamente pelas bandas serem diferentes. São Paulo, né? O grande caldeirão.

Pra finalizar o festival, teve o show do Metric, que arrastou seu próprio publico e que musicalmente falando, não tem nada de impressionante. É uma tipica banda atual, que se veste com glamour, faz pose de sexy e toca indie rock com barulhinhos eletrônicos e no mesmo album tem musicas pra dançar na pista do club e pra ouvir tomando mocaccino fazendo cara blasé de triste. Ao contrário dos que foram somente para ver o The Go! Team, eu não fui embora e fiquei pra conferir. Vai que a banda me surpreende né? Nunca se sabe, essa vida do rock é uma caixinha de surpresas.

E a banda me surpreendeu não pela sua musica, mas pela vocalista, a Emily Haines. O porque? A foto abaixo já diz tudo:

Viram? Não é amor?

Fiquei meio hipnotizado por ela e nem prestei muita atenção na musica, o show em si é agitado, mas é som de clube, de casa noturna, funciona melhor na pista, com garotas bebadas, com a Emily Haines suada e pulando de um lado pro outro. Quando aquele sonho de mulher saiu do palco, eu voltei para a realidade e o burburinho do publico, já era bem o que eu esperava mesmo. "Que gostosa!", dos que estavam vendo mas não estavam lá pela musica. "Que merda!", dos que estavam lá conferindo a musica. "Que legal!", dos que foram exclusivamente para ver o Metric.

Mas no geral, foi legal, um bom evento. Bem organizado, bem estruturado, de graça!, com atrações diversas e em um ótimo lugar. Espero que esse festival continue acontecendo no futuro, e que surjam outras iniciativas do genero.

Fujiya & Miagiy

The Go! Team!

Metric

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