Garage Fuzz, Dead Fish @ Hangar 110

Dead Fish, Garage Fuzz e Questions, no Hangar 110, é que nem clássico de futebol, sempre enche e é sempre excitante. A diferença é que no jogo, que rolou na sexta-feira, as bandas não competiam entre si, a missão delas era subir no palco e mostrar que é craque, driblando adversidades e fazendo golaços empolgantes.

O palco desse clássico de noite de sexta foi o Hangar 110, lotado, quentíssimo, ainda difícil de comprar cerveja e tocando DVDs com atraso entre som e imagem no telão. Isso faz com que bastante gente fique do lado de fora, curtindo uma cerveja no bar ou na rua, esperando a hora do clássico preferido começar. Nessa brincadeira, eu acabei perdendo o show do Questions.

Mas vi o Garage Fuzz todo, time de craques, coleção admirável de títulos, o jogo deles não foi ofensivo como é em outras ocasiões, mas foi de boas jogadas, bem ensaiadas, a estratégia da banda sempre funciona de modo perfeito. Em forma, marcaram golaços como "Observant", "Explain" e "Embedded Needs", fazendo a torcida vibrar. E a banda deu a letra de que o novo álbum, já esta sendo gravado. Isso sem contar que ainda tem o dvd para sair, ou é, estão em plena atividade, time em forma pronto pra jogar qualquer campeonato.

E ainda bem que nesse show as bandas não competiam entre si, porque ficaria difícil pro Dead Fish reverter o placar. Com o Hangar 110 pegando fogo, já escorrendo suor pelas paredes, o time entrou em campo, e ainda tivemos a surpresa de ver Caco Barcelos, da Rede Globo, filmando uma matéria no palco com a banda. O atacante Rodrigo perguntou para a torcida se não iriam recepcioná-los como sempre recepcionam a banda, e da-lhe coros de "Hey Rede Globo, vai tomar no cu!" enquanto filmavam. Dai pra frente, só belas jogadas e golaços de todas as fases da banda. A torcida, nem um pouco cansada ainda, queria toda hora invadir o campo, e lá embaixo, a roda as vezes ficava um pouco tensa, seja por um soco na boca ou uma entrada maldosa e quando os ânimos se alteram é como briga de torcida, só que sem tropa de choque pra tumultuar mais. Em shows assim, o próprio publico se policia, olha feio e tira os malas da roda, separa briga e abre clarões para os que perdem pertences no meio do caos.

Curioso notar também, que nenhuma das bandas perdeu o talento de motivar suas torcidas. Há 10 anos atrás, quando se ia a shows dessas bandas, era um publico muito mais jovem, grande maioria entre 14 e 18 anos, ainda mais nos do Dead Fish, o que fazia com que as rodas fossem mais brincalhonas, com cenas engraçadas e sorriso nos rostos. Hoje em dia, o publico cresceu, o que deixa a roda mais violenta, com muito mais gente inflamada de testosterona, maiores, mais fortes e mais velhos, ao invés de sorriso, eles mostram os dentes com olhar de fúria, ao invés de dancinhas engraçadas, empurrões, socos e headwalks. Mas nada disso atrapalha o show, tinha espaço para todos. O resultado foi favorável e não só a banda, mas todo mundo presente, pode gritar "é campeão" e levantar a taça, pois foi mais uma vitória de todos em um campeonato já conquistado, o da consagração do cenário underground.

Obs.: Gostei bastante da preocupação do Rodrigo em relação ao horário de término do show, tendo em vista que muitos dali ainda teriam que pegar metrô para ir embora. Ele, que por sinal, é mais paulistano do que muita gente da própria cidade, antenado aos fatos e acontecimentos, consciente da existência de tudo quanto é tipo de gente na grande selva, São Paulo.


Bookmark and Share