Noite de Domingo geralmente deixa as pessoas apáticas e preguiçosas. Afinal, é o fim do fim de semana e o momento de preparação para o começo de mais uma semana de trabalho e estudos para a maioria das pessoas. Mas nem todos vivem nessa apátia, nem todos gostam de passar uma noite de domingo vendo Fantástico ou morgando na internet.
Como eu sou uma dessas pessoas, resolvi dar uma saida no Domingo a noite para conferir algum show. O escolhido foi esse, no Inferno, situado na Rua Augusta em São Paulo, por ser próximo de casa e por ter uma banda que gosto e que ha tempos não via ao vivo, Dominatrix.
Cheguei no momento exato em que a primeira banda começava seu show, a Upset Kids. Bom, não era bem o que eu imaginava. Eu estranhei o fato de uma banda com nome Upset Kids (Crianças Chateadas) serem todas alegres, sorridentes, brilhantes, coloridas e saltitantes. Talvez um nome como Shinny Happy Angry Kids combinaria melhor com a banda. Mas as criticas param por ae. O som é bem enérgico e exaltante, achei a banda bem empolgante, um bom contraste em relação a maioria das bandas com jeitão de "Domingo a noite" que vejo por ae. Eles parecem sedentos por rock e com vontade de fazer acontecer, se continuarem nesse pique, vão longe.
Outro contraste, foi a banda que veio a seguir, Andrea Martins e o Império dos Sonhos, ela que era vocalista da banda baiana Canto dos Malditos na Terra do Nunca, esta agora com esse novo projeto seguindo uma sonoridade semelhante. O som é um rock com pegada forte e densa, e se o nome, Império dos Sonhos for uma influência do filme de mesmo nome do diretor David Lynch, então tudo fara mais sentido ainda, pois esse é um filme que se aventura entre o mundo da realidade e dos sonhos de forma intensa e misteriosa, no meio urbano, com sexualidade e um clima noir, impressões que a banda também passou. Valeu a pena ter saido de casa ontem e ter conhecido essa banda.
Mas eu tinha ido mesmo pra rever Dominatrix, o ultimo show que tinha visto faz alguns anos já, no Hangar 110. A banda, que começou em 1995, fazendo bombar aquela coisa riot grrl na cena brasileira, trazendo mais garotas pro rock e incitando debates feministas, estão mais maduras e agora cantam em português também, mas ainda continuam com a garra e vontade juvenil, fazendo um bom hardcore feminista. A injeção de sangue novo na banda deve ter ajudado nisso também. Esse foi o segundo show da nova baixista, Adriessa (Anti Corpus, Crucified, Sons Of A Guns entre outras), que mostrou paixão e muito animo, coisa de quem já era fã antes mesmo de subir ao palco com elas. Gostei de ter visto a banda ainda no gás, até gravando um album novo, que tera participação de Andrea Martins (sim, a do Império dos Sonhos) em uma musica que tocaram juntas la. Como são namoradas, ficou uma cena bonita de se ver, em um clima bem romantico, sem perder o ritmo do rock.
E que a chama do hardcore, nunca se apague. Um fim de semana, vendo Garage Fuzz a todo vapor gravando dvd e Dominatrix na correria me deixam contente, a qualidade, a criatividade e a paixão pelo negócio, sempre prevalecem e permanecem. Não é destaque, fase ou moda. E estão sempre por ai, para quem quiser ver, de domingo a domingo ...
Andrea Martins e o Império dos Sonhos - A Falta @ Inferno
Andrea Martins e o Império dos Sonhos - Sinta Vontade de Ficar @ Inferno
Andrea Martins e o Império dos Sonhos - A Paz Onde Ela Esta @ Inferno
Andrea Martins e o Império dos Sonhos - Tanto Mar @ Inferno
Noite de sexta, boa escalação de bandas, ingresso barato, publico diverso, de todas as épocas e lugares, tudo conspirando para o bem, na magnitude que um show desse precisava. O registro em dvd, de uma das mais importantes bandas do Brasil, Garage Fuzz.
O local foi uma boa escolha, a Capital Disco, casa noturna de Santos que todo ano muda de nome, tem uma estrutura boa, é grande mas com palco na medida certa já que na frente parece que se forma uma boca, deixando o publico mais perto, formando o bolinho ideal pra galera que curte participar e abrir rodas. Além disso, foi um dos shows com mais mulheres bonitas que já vi, tinha até mina chegando de vestidinho e salto alto, isso sem contar manos playboys de correntões e mais toda a horda hardcore já bem conhecida de quem frequenta shows.
Para começar, aquecendo os amps teve a banda santista Kaisen, que assim como eu, muita gente não viu. Poucos gatos pingados também foram os que conferiram o show do Rancore, banda que tem se mostrado bem competente com um show que incita o publico a participar e fazer parte, o som dos caras, que já estão no segundo álbum, é bom, fiquei feliz de ter finalmente visto a banda ao vivo.
O Paura, sempre queridos em Santos, vieram na sequência, e com o ponteiro em movimento, eles não perderam tempo, mais metal do que nunca fizeram a galera se quebrar, pancada atras de pancada. Teve quem achasse que o set foi curto, mas foi na medida ideal, instigou a galera e deixou para que gastassem até esgotar suas energias no show mais importante da noite. Após o set da banda, boa parte do publico na frente do palco mudou, dando lugar aos fãs do Sugar Kane. A banda, assim como o Paura, também tem diversos fãs em Santos, que estavam cantando as musicas e agitando, eles parecem ter aproveitado o curto tempo de show para tocar justamente o que os fãs queriam ouvir. É engraçado que geralmente quem gosta de Paura, não é chegado em Sugar Kane e vice-versa, mas os fãs de ambas as bandas, adoram Garage Fuzz. Então a escolha dessas bandas de abertura, apesar de diferentes, em som e publico, fazem sentido e a noite acabou agradando a todos no quesito bandas de abertura.
Vale lembrar que não houve venda de bebidas alcoólicas no show. Pode parecer estranho um show sexta a noite sem cervejas, mas tudo tem seus motivos. Com a proibição da venda de bebidas alcoólicas, o show pode ser liberado para menores de 18 anos, dando a oportunidade de todos os fãs estarem presentes, o ingresso, barato (R$15,00 antecipado, R$ 20,00 na porta) também facilitou. São as influências dischordianas Do It Yourself reverberando em pleno 2008! Mostra o respeito e consideração que o Garage Fuzz tem por todos os seus fãs.
Com a galera aquecida, é chegado o momento mais importante da noite. Garage Fuzz sobe no palco, Fabricio da alguns toques ao publico e "Agora ta valendo!"
Dai pra frente, foi só alegria. Em sincronia perfeita, mais uma vez, e agora deixando registrado, eles mostraram o porque são uma das melhores bandas do Brasil, com um set de quase 30 musicas, cobrindo toda a carreira da banda. Teve Observant, Replace, When All The Things, A Mutt Running Nowhere (essa foi tocada duas vezes, já que no primeiro take danificaram o equipamento em uma tentativa de stage dive, que até rendeu um puxão de orelha do Farofa nos aparicios), Stream, It's Funny, Dear Cinnamon Tea, Explain, The Morning Walk, Embedded Needs, Rocking Chair, Morgan Great Friend entre tantas outras. Apesar de quase duas décadas de banda, os caras ainda sobem ao palco com garra e vontade. Isso torna o show não somente um show, mas uma celebração única, da banda com seus fãs, ainda mais estando em casa, Santos, a energia, alta voltagem, fluiu em boa harmonia. Foi um show bonito, coisa linda de se ver, com diversas câmeras de tudo quanto é lado, capturando todos os momentos e movimentos. Quem esteve presente, sabe que desde já esse é um dos lançamentos mais esperados para 2009!
Mesmo com um set-list de quase 30 musicas, ainda teve gente chorando que faltou um ou outro som. O que só mostra que GF não é uma banda de hits, mas de conteúdo, aonde cada som é uma obra marcante e empolgante, não estão ali gravadas pra encher linguiça.
Esperamos também que tenha no dvd diversos bônus, afinal, tanto tempo, tanta história, mereceria até um dvd duplo, senão um box set!
Ver shows no Teatro do Sesc Pompéia, aonde era gravado o saudoso programa da TV Cultura, Musikaos, é sempre uma experiência fora do comum quando comparado a shows em casas, clubes e etc. Lá tudo funciona perfeitamente, é sempre barato, o equipamento é bom, palco grande com iluminação, assentos, publico diferente (mais abrangente, eu diria), ambiente mais comportado sem ninguém subindo ao palco ou abrindo grandes rodas e pouco espaço de tempo entre os shows. Além disso eles realmente começam na hora marcada. Esse estava marcado para as 20:30, eu cheguei as 20:50 e por causa disso vi apenas o final do show do Nitrominds. Gostei do que vi, rápidos e enérgicos, continuam com fôlego pra deixar a galera sem fôlego.
Logo em seguida veio a Baranga, o naipe da banda é bem "São Paulo, Galeria do Rock". O som, é rock mesmo, de boteco, sujo e meio blueseiro, Motorhead + AC/DC, com um guitarra que toda hora tentava passos ensaiados doAngus Young (AC/DC) . Para o que eles se destinam a fazer, fazem muito bem, e a julgar pela disposição da banda ainda vamos ouvir falar deles por ai, mas no geral é mais do mesmo.
Em seguida veio o Dance Of Days, atração como essa encaixada bem entre Baranga e Matanza, só podia gerar controvérsias mesmo, com um set de dez musicas, a maioria do ultimo álbum, eles incomodaram quem foi lá pra ver as outras bandas. Alguns mais exaltados chegaram a irritar Nenê Altro que fazia gestos obscenos e chegou a parar o show pedindo aos seguranças para que três garotos fossem retirados, mas eles se recusaram a sair, e bom....chamaram um ...bombeiro(!) para remover eles, sem sucesso também. O show acabou continuando com eles lá, não atrapalhando mais e acompanhados de perto pelos seguranças. Quando o show acabou e a banda saia do palco, Nenê Altro marcou um encontro com eles no ponto de ônibus (não tinha ninguém lá depois), fez discurso de poucas palavras sobre como entre as bandas não tem essa diferenciação e preconceito, e que então não deveria haver entre o publico também, e tentou mostrar a bunda para o publico, mas pelo fato dele estar gordinho, o shortinho apertou e na dificuldade só meia bunda foi mostrada mesmo.
Para finalizar, Matanza, a banda mais esperada da noite. Com apenas pouco mais de meia hora para mostrar seu som, eles não deram moleza e fizeram praticamente um "best of", teve Interceptor V-6, Maldito Hippie Sujo, Clube dos Canalhas, Eu Não Gosto de Ninguém, Bom É Quando Faz Mal entre outras.O desrespeito e a grosseria características do Matanza agradou aos presentes.
No geral todas as bandas fizeram bons shows e vale lembrar que os fãs de Matanza, não ficariam para ver o show do Dance Of Days se esse fosse o ultimo, mas os fãs de Dance Of Days ficaram para ver o show do Matanza, provando que são mais cabeça aberta. A mostra do prêmio da musica independente ainda continua promovendo essa mistura durante o fim de semana com shows de bandas como FireFriend, Marcelinho da Lua, Xis & DJ RM, Vega, Alzira Espíndola, Madame Mim e mais.
Festivais em parques, ao ar livre, de fácil acesso, grátis, e principalmente com boas atrações são sempre bem vindos, e foi assim com o Motomix, que rolou no Pq. do Ibirapuera, ali no pátio do Museu AfroBrasil, boa escolha. Você esta lá, sabadão, um dia bonito e se depara com um festival de boa estrutura, grátis e boas atrações. É um presente que tem que ser apreciado por quem ao menos diz gostar desses sons.
Não vi as primeiras bandas, as nacionais, pelo que escutei no MySpace, aquela Nancy parece ser bem legal, e creio ter perdido um bom show. Mas de resto, é aquela coisa né, banda nacional sempre parece colocada nesses festivais como um favor. Da mesma forma que empresas contribuem para o meio-ambiente para fazer pose de boazinhas aos consumidores, os festivais colocam bandas nacionais em seus casts. Culpa de quem?
Do publico? que só quer saber dos shows principais e já chegam tarde ou nem se importam com os de abertura? Das bandas? com sons ruins, retrolavagem do que escutamos antes lá de fora? Dos organizadores? em nem sempre acertar na escolha, ou sempre colocando as bandas de favor, só pra aquecer o palco? Sei lá, já não me preocupo mais, e nem é necessário, nesses tempos atuais, já percebi que o certo é escutar, e assim, já vou ir sabendo quanto tempo passarei no bar, e quanto ficarei curtindo um rock.
Quando eu cheguei, havia um bom publico já, e o Fujiya & Miyagi tocava seus primeiros sons. De inicio, bem chato, um show quadrado, de musicas quadradas, paradas, só ficando bom quando com bateria de verdade, quando eles puxavam para o lado mais rock deles. Tinha visto por ae, que eles tinham fortes inflûencias de krautrock, mas não vi muita coisa dessa praia não hein ...
Mas enfim, depois de uma pequena pausa. O que me deixou contente, por estar apreciando um presentão grátis e sem atrasos ainda. Subiu um cara mala, daqueles tipo animador de plateia, locutor em festivais de rádio, e lembrou "wow, como tem gente agora hein!". É lógico, todo mundo tinha ido pra ver o The Go! Team e Metric, chegaram na hora e tudo encheu.
E chegaram na hora certa, o The Go! Team fez o melhor show. Alegre, divertido, espontaneo, cativante, tudo em um clima mágico. O The Go! Team é um mundo de fantasia divertido, cada membro da banda parece a encarnação de algum personagem de desenho animado infantil. A mágia criada com base em samplers e colagens, funciona ao vivo. No set composto por musicas de seus dois albuns, havia a diversidade de musicas calminhas, de menininhas, pegadas dançantes e até viagens sônicas, como uma versão cartoon do Sonic Youth. Uma das vocalistas tentava arrancar reações do publico, meio sem sucesso, mas beleza, talvez ela não tinha como entender o que estava rolando ali embaixo, porque vamos pensar...show grátis, ao ar livre, no ibirapuera. Flagrou? Imaginou o publico? O mendingo alucinado com sua cabana de cobertores dançando ao lado de meninas de vestidos de bolinhas, os maconheiros, manos do skate, manos do rap, manos das ruas, ciclistas, familias, turistas, o vovô, os turistas, os vendedores ambulantes, os catadores de latinhas, a galera do rock, tudo ali, misturado. Logo, as reações eram diversas, os comentários eram diversos e por ai vai, para quem é fresco e elitista, isso gera desconforto, e era notável a presença de gente desconfortavel com a situação, fazendo cara de nojo, assim como era notável a presença de muita gente que nem fazia idéia do que eram aqueles sons e aquelas bandas e pararam para apreciar, de mente aberta, na maior boa vontade e ainda sairam gostando, justamente pelas bandas serem diferentes. São Paulo, né? O grande caldeirão.
Pra finalizar o festival, teve o show do Metric, que arrastou seu próprio publico e que musicalmente falando, não tem nada de impressionante. É uma tipica banda atual, que se veste com glamour, faz pose de sexy e toca indie rock com barulhinhos eletrônicos e no mesmo album tem musicas pra dançar na pista do club e pra ouvir tomando mocaccino fazendo cara blasé de triste. Ao contrário dos que foram somente para ver o The Go! Team, eu não fui embora e fiquei pra conferir. Vai que a banda me surpreende né? Nunca se sabe, essa vida do rock é uma caixinha de surpresas.
E a banda me surpreendeu não pela sua musica, mas pela vocalista, a Emily Haines. O porque? A foto abaixo já diz tudo:
Viram? Não é amor?
Fiquei meio hipnotizado por ela e nem prestei muita atenção na musica, o show em si é agitado, mas é som de clube, de casa noturna, funciona melhor na pista, com garotas bebadas, com a Emily Haines suada e pulando de um lado pro outro. Quando aquele sonho de mulher saiu do palco, eu voltei para a realidade e o burburinho do publico, já era bem o que eu esperava mesmo. "Que gostosa!", dos que estavam vendo mas não estavam lá pela musica. "Que merda!", dos que estavam lá conferindo a musica. "Que legal!", dos que foram exclusivamente para ver o Metric.
Mas no geral, foi legal, um bom evento. Bem organizado, bem estruturado, de graça!, com atrações diversas e em um ótimo lugar. Espero que esse festival continue acontecendo no futuro, e que surjam outras iniciativas do genero.
Essa segunda semana de Abril foi realmente especial em São Paulo, em quatro dias, pudemos ter dois de Jamaica com o Skatalites, depois se quebrar com Bad Brains na quarta e se soltar com New York Dolls na quinta.
Já que o New York Dolls está para o punk, glam, enfim, para o rock geral assim como o Rolling Stones esta para o rock em geral, mas só que as bonecas em nivel underground A banda foi formada em 1971, década em que fizeram nova iorque ferver e em 2004, membros da formação original voltaram a se reunir, com um empurrãozinho do mestre e fã mór da banda, Morrissey, ex vocalista do The Smiths e ex presidente do fã clube inglês da banda nos anos 70.
Havia a duvida se o Hangar 110 era o lugar ideal para fazer um show com tamanha importância. E sim, o Hangar 110 foi o lugar ideal, não teria a mesma graça se fosse em outro. A banda se fez tocando no Max Kansas City e no CBGB's em Nova Iorque, seus melhores shows eram em inferninhos underground. Então o, lugar de importância semelhante no Brasil, o Hangar 110 ainda deu um tapa no barracão para receber o evento, como colocar grades na frente do palco, cortinas rosas e brilhantes de fundo e publico controlado para ninguém ficar abarrotado, acabou sendo ideal para criar o clima de um show bonequeiro. Algumas coisas poderiam ter sido melhores, como menos atraso para o começo dos shows, que fez com que pessoas tivessem que deixar de ver o show até o final para conseguirem voltar pra casa a tempo, mas tudo bem.
Para a abertura, a responsa ficou com os paulistanos do Forgotten Boys, e como já não é novidade para ninguém, considerados uma das melhores bandas de rock do Brasil, fizeram um show a altura. Tocaram diversas musicas novas que já soaram como o anuncio de que o rock vai pegar fogo em breve com mais um lançamento deles.
Após uma boa espera, lá por volta das 23:00 (ou é, bem atrasado, ainda mais em se tratando de show no Hangar 110), abrem-se as cortinas e as bonecas já começaram a botar o Hangar 110 para suar, suar muito, porque parado não teve como ficar, David Johansen um dos dois remanescentes da formação original, não tem como não ser comparado ao Mick Jagger, é velho, usa calça coladissima e sem cueca, tem um bocão enorme, faz danças extravagantes e fala de amor, apesar de não parecer lá muito amoroso, mas sim alguém chapadão. Sylvain, o outro remanescente é quem assume a função de animar o publico, com seu jeito meio italiano bonachão, gordinho feliz e carismático,é quem puxava o ritmo do show como um todo, com auxilio dos outros integrantes davam a energia pra manter o vovô em pé e para o publico responder a altura. Presente na banda ainda estava um ex-baixista,do grupo clássico do glam rock, Hanoi Rocks, o Sami Yaffa. O show foi até melhor que o esperado, e com certeza vai ficar marcado na história, de quem foi, do Hangar 110 e da época, por ter sido um dos melhores shows internacionais no meio dessa safra de diversos que tem acontecido nesses tempos.
Icone definitivo do punk/hardcore, criadores de sonoridades e atidudes unicas, os norte-americanos do Bad Brains desembarcaram no Brasil pela primeira vez, e olha que já são quase 30 anos de banda.Quem foi sabe o que viu, um show fora do comum, o tipo de show que a gente só vê de tempos e tempos, não aquele que você só volta pra casa com sensação de dever cumprido e mais uma lembrança. Foi um show para descarregar tensões e viver o amor e a união através do punk/hardcore. O show gerou diversas discussões e duvidas, quando se soube que o vocalista original do Bad Brains, não viria com a banda. É de se entender. HR é um senhor já bem doido da cabeça e sem a mesma disposição para tacar fogo em um recinto hardcore. Para a missão de substituir o HR, veio Israel Joseph-I, substituto natural e que já fez parte do Bad Brains, inclusive gravando o album Rise, em 1993.
Muita gente torceu o nariz, mas vamos pegar um exemplo, se você fosse hoje ver a final da copa do mundo, quem você iria querer ver escalado, o Pelé ou o Ronaldinho? O HR é como o Pelé, um ser unico e insubstituivel, mas que já não suporta mais o pique, ainda mais em se tratando de Bad Brains no Brasil, aonde não tem como um show desse não ser insano, e Israel Joseph-I deu conta do recado, assim como o Ronaldinho, ele não é um Pelé, mas traz a taça. Dr. Know, o guitarrista que aqui ficou mais conhecido como "Martinho da Vila com dreadlocks" devido a semelhança, segura a bronca ainda, como se fosse o capitão do time, e o que ele mais gosta, é um bom hardcore enquanto HR é um cara que hoje em dia, prefere o lado reggae do Bad Brains, então nós deviamos era agradecer pelo vocalista ter sido o Israel Joseph-I, pois com ele a banda vários de seus classicos, o show já começou com uma sequência avassaladora: Attitude, Right Brigade e Sailin On.
E desde o momento que começou, até o fim o publico comemorou o momento como se tivesse sido a vitória do Brasil na copa do mundo, rodas enormes se formavam com todo tipo de apreciador de Bad Brains se quebrando lá, punks, rastafaris, straight-edges, nerds, metaleiros, skins, todos juntos. Na cara do palco, debruçado nos amps, cantando junto, feliz como uma criança, estava Rodrigo Lima do Dead Fish, pela roda, gritando, tinha o Fábio do Paura, no camarote lá em cima, João Gordo do Ratos de Porão e diversos outros que sabendo da importância de tal show, não ficaram em casa reclamando da ausência do HR não. O fluxo de stage-diving também era grande e gente voava para todos os lados, sem parar, até Israel Joseph-I se jogava no meio da galera.
Para dar uma recuperada no folego, eles tocavam alguns de seus reggaes, até para o pessoal pode acender um também, e depois era pancadaria de novo. O local do show também ajudou, tinha uma boa estrutura, o som estava legal, o publico não estava abarrotado, tinha balcões nas laterais de onde dava para ver o show sentado como se estivesse em um camarote, e palco na altura certa para bons saltos e apreciação do show.
Da próxima vez, não desperdicem tal oportunidade se forem possiveis a vocês. Elas podem não acontecer de novo nunca...
Ver um show do The Casualties é especial por diversas razões, uma delas é a de que não é como ver uma banda clássica das antigas, ou uma banda reformulada, é ver o que está rolando de melhor no estilo neste momento, os caras na mais intensa pegada de seus sons, com raiva, pulos altos, riffs rápidos e punhos ao ar, mesmo a banda já tendo mais de 15 anos de carreira. Esta turnê ainda gerou expectativas porque já haviam cancelado uma no começo do ano, e o Hangar 110 passou uns dias interditados. Logo, privilegiados os que foram conferir, que bateram cabeça, cantaram junto, e deram trabalhos aos seguranças na hora de subir no palco.
Mas é que todos queriam cantar juntos alguns hinos como “Under Attack”, “On The Frontiline”, “Fight For Your Life”, “Punx & Skins”, “Tomorrow Belong To Us”, “Casualties Army”, o cover de “Blitzkrieg Bop” dos Ramones, entre outras, que fizeram boas rodas se abrirem, com gente voando de todas as direções do palco. Na hora de “Riot” até o vocal do Calibre 12 subiu e cantou com eles.
O show não foi demorado, nem curto, mas foi intenso do momento antes de as cortinas se abrirem até o fim, uma hora depois. No repertório, músicas de seus diversos álbuns e não só do mais atual deles, o "Under Attack", que nunca é demais lembrar, foi produzido por Bill Stevenson (Descendents, Black Flag, ALL). Todas as músicas executadas com maestria, e muita energia. Jorge, o vocal, só foi trocar algumas palavras com o público, várias músicas depois de ter começado o show, trocou algumas palavras em espanhol, e cantou La Cucaracha, "Ya no quieres caminar, Porque no tienes, Porque le falta, Marihuana que fumar".
Quando a banda tocou o que disseram ser a última música e saíram do palco, o publicou começou a entoar o hino "Punx United". Os caras não demoraram e a banda voltou aos poucos já pegando o ritmo e continuando a música, cena linda. Depois disso, tocaram a vigésima primeira musica do show e ultima pra valer, "Unknown Soldier", e tchau. A banda tem mesmo muita energia, e não é a toa que é das melhores, representando o gênero atualmente.
A domingueira ainda contou com abertura da banda Rudes, e do punk sujo e garageiro do Nostalgia 77, com um set repleto de coisas boas. Até intimaram o pessoal do Porcos Cegos a subir no palco e tocar com eles, intimação cumprida. Ambas as bandas fizeram ótimos shows, não deixando a galera entediada, só instigando e tocando um bom som para a alegria de todos os presentes, no confortavelmente cheio Hangar 110, que neste fim de semana abrigou mais este show, que foi especial para muita gente.
Feios, encardidos e mal encarados, os norte-americanos do Cannibal Corpse, já com quase 20 anos de carreira, não decepcionaram, não falaram fino, tocaram ofensivamente e desceram a bicuda nos malas, enquanto esmerilhavam sons bestiais e ensurdecedores nesta terceira passagem da banda pelo Brasil, desta vez, no Hangar 110 lotado e com um equipamento de som bom, o suficiente pra fazer todo mundo sair com zumbidos no ouvido.
Também deixaram claro que rolaria músicas de todos os álbuns, o show contou com vários clássicos, como “Staring Through the Eyes of the Dead” (The Bleeding, 1994), “Make Them Suffer” (Kill, 2006), “Covered With Sores” (Butchered At Birth, 1991), “Pit of Zombies” (Gore Obsessed, 2002), esta até garantiu um dos melhores momentos, abrindo um mosh pit enorme, entre tantas outras.
O público estava insano, cuspindo fogo do capeta em um Hangar 110 abarrotado, estava difícil de andar lá por dentro, e o calor, nem precisa comentar. Corpsegrinder (vocalista que até o assobio deve ser gutural, mas que a mãe ainda deve preferir chamá-lo de George Fisher) fazia cara de mal a todo o momento, rodava a cabeleira, mas apesar do jeitão, dava para perceber que ele e a banda estavam empolgados com a presença do público, tanto que foi, que de final, durante a música “Stripped, Rapped and Strangled", ele mandou um stage dive, enquanto o público se quebrava e cantava junto o som, cena foda, já está na lembrança. Quem participou, disse que foi a melhor passagem deles pelo Brasil, até então.
A noite ainda tinha contado com outras duas bandas que fizeram a abertura, primeiro a Diabolical Possession, que eu não vi e não conheci ninguém que viu, porque eles tocaram quando o público ainda estava começando a entrar, pouca gente parou para prestar a atenção. Mas o Chaosfear que veio depois, já começou a dar uma acordada na galera, a enaltecer os ânimos do metal, e preparar o terreno para o Cannibal Corpse. A banda é das que valem a pena dar uma conferida, thrash metal dos bons.
Em mais uma noite de celebração, quem gosta de metal, sabe que ali rolou o que há de primordial em death metal, ao vivo, sem frescuras, Corpsegrinder também mandou o recado "Keep supporting Death Metal !", e o público, que ia desde o primo novato que chegou no metal depois de viciar em Ozzy jogando Guitar Hero até os tiozões que faziam troca de K7 e arrumavam garotas e raridades na seção de cartas da Roadie Crew, prometeram atender o recado.
Vale citar que apesar de ser um show de death metal, brutal com todo mundo cantando letras sobre estupro, morte, bebês dilacerados, corpos estripados, funerais macabros, e se quebrando nas rodas, houve respeito e camaradagem entre o público, além de muito metal.
Após anos de espera, sonhos e expectativas, finalmente se tornou realidade a vinda dos jamaicanos do Skatalites ao Brasil. O grupo, é clássico, são mais de 40 anos de história dos considerados precursores do Ska, apesar de terem ficado em hiato por um bom tempo. Por isso a expectativa para os shows foram grandes, muito além do esperado até. Haviam sido marcados dois shows, dias 17 e 18 respectivamente, mas a imensa procura e o esgotamento dos ingressos com mais de duas semanas de antecedência ao show, fez com que a organização conseguisse agendar outro show, para o dia 16, no teatro do Sesc Pompéia. Que foi um sucesso também, novamente com ingressos esgotados.
O burburinho dias antes do show foi tanto, que não deu outra, havia até cambistas na porta, esses que surgiram do Palestra Itália, estádio do Palmeiras, muito próximo ao Sesc Pompéia, eles acabaram achando essa brecha para arrancar uns trocados de quem ficou por ultimo na hora da compra dos ingressos, que foram comprados por entre 13,00 e 30,00, e eram vendidos entre 50,00 e 80,00 por eles. E teve quem pagou, pois bastante gente saiu de outras cidades e estados e pagar esse preço, foi a unica solução.
O show do dia 16, já foi animado, pelos relatos que vi, o publico até invadiu o palco para dançar com os caras. Esse show, foi inclusive gravado, e ficamos no aguardo que algo seja lançado, para marcar essa primeira passagem deles pelo Brasil. O do dia 17, foi o unico em que eu estive presente, como o Sesc Pompéia é bem rigoroso com sua organização (sempre boa), o show começou na hora, e ainda havia uma imensa fila lá fora, por sorte, eu não perdi quase nada. A cena quando eu entrei, estava clara: Celebração e união. No palco, os tiozinhos, notavelmente animados e empolgados, comandavam a festa para os mais de quinhentos sortudos presentes, que dançavam e acompanhavam com "pã pãpãs" as musicas instrumentais do Skatalites. E não tinha como não ficar feliz naquele ambiente, os mestres eram pura descontração, dançavam como garotos, trocavam olhares surpresos, andavam e dançavam pelo palco e interagiam a todo momento com o publico, dando águas, chamando-os para dançar, autografando. Estavam literalmente impressionados com tamanha receptividade calorosa do publico, ficavam tirando fotos do publico, filmando e se divertindo. A disposição foi tanta, que o show acabou durando mais de duas horas, com somente uma parada que não durou nem cinco minutos já que o publico os fizeram voltar para bis e ficavam clamando por mais sons. Se eles pudessem, tenho certeza que a festa iria noite adentro, e que ninguem arreadaria o pé, tamanho era o clima de descontração e alegria lá dentro. Um show emocionante, e marcante, para que gosta de ska e similares.
Quem perdeu, só lamento. Mas a esperança é de que voltem, e boto fé que voltarão, estava estampado no genuino sorriso deles o "Amei esse lugar e essas pessoas!". Parabéns também ao publico, parte essêncial dessa celebração também. É dificil hoje em dia ir a um show, aonde praticamente todo mundo esta presente pela musica e somente por ela, em clima de união. Só faltou ser liberado fumar na chopperia do Sesc, mas beleza, não atrapalhou em nada. O show do dia 18, não pude conferir, mas tenho certeza que foi uma festa e tanto.
Fim de semana agitado em São Paulo. Por causa do evento Virada Cultural, vários shows estavam rolando pela cidade, mas ainda assim, novamente o publico compareceu ao galpão situado no Jabaquara, para conferir mais uma Verdurada. Com a organização (impecável, por sinal), deixando bem claro que o Medications iria ser a primeira banda e que os ingressos se esgotariam, só ficou de fora quem não se informou e correu atrás mesmo. Os ingressos que sobraram para serem vendidos na porta, esgotaram-se rapidamente. E pra quem ficou de fora, só restou lamentar.
Com pouco atraso, o Medications fez os primeiros barulhos na Verdurada. Formado das cinzas do Faraquet, e parte do cast da Dischord, o trio veio dos EUA para tocar um math-rock de quebradas precisas, cheio de influências Fugazianas. Eles fizeram um show relativamente curto, mas a intensidade foi tanta, que compensou. Tocaram faixas do álbum Your Favorite People All In One Place, produzido por Brendan Canty (Fugazi). A maioria dos presentes ainda não conhecia o Medications, e a impressão deixada foi boa, muita gente falando "porra, muito foda o som dos caras! Tocam muito". Entre um show e outro, para distrair, várias banquinhas, de comidas vegans, cd's, livros e etc. O show seguinte, ficou por conta do B.U.S.H., com album fresquinho lançado, os caras tocaram um punk/hardcore bem rápido e furioso, mas com psicodelias extras. Apetece quem de Black Flag, Vitamin X e etc.
A galera curtiu e já ficou pro próximo, o Possuidos Pelo Cão, que eu não vi inteiro, mas o que vi, deu pra comprovar que o nome não é a toa não. Os caras são realmente possuidos e cuspiram fogo lá dentro, com direito até a bombril em chamas voando. Foi depois desse show que eu comecei a ver a galera toda suada, correndo pra comprar muppy's e águas, que por sinal, eram vendidos a preço justo lá dentro. 0,50 o copo d'água e 1,00 o muppy. O bolso do publico presente, agradeceu. Galera re-hidratada, mas pronta para mais e ai veio o Subtera, e a melhor palavra para definir é: devastador! metal pesado com a rapidez do grindcore, sem perder a linha e o tempo, foi o show que mais estourou timpanos lá. Ainda teve uma palestra sobre violência contra homosexuais, que eu perdi e devo confessar que me arrependi, pois todos que estiveram presente falaram que foi muito boa . Legal gerar uma discussão entre a galera, ao invés de somente deixar um espaço em branco entre as bandas.
Pra finalizar, alegria total, novamente Boom Boom Kid no Brasil. Com a tradição de sempre fazer shows memoráveis, Nekro e companhia não decepcionou ninguém. O set-list teve até cover do Metallica, que agradou a galera que anda nessa nova moda de visual trash 80's. Nunca vi tanta gente curtindo Suicidal Tendencies antigo, D.R.I. e etc, de boné com aba pra cima como hoje em dia.
Durante o show do Boom Boom Kid, Nekro fez de tudo lá, se pendurou nas estruturas do galpão, jogou espuma, daquelas de carnaval, surfou em cima do case de guitarra que era carregado pelo publico, que estavam ensandecidos, usou brinquedos como instrumento, quebrou o microfone. O folêgo do hermano em agitar um show é o que faz tudo ser tão enérgico. Tinha gente caindo do e no palco, pelo chão, esmagados, outros fazendo rodas, mas tudo na maior tranquilidade e paz, naquele clima familia. Depois de mais de 20 musicas, ainda fizeram a banda voltar para tocar a mais esperada da noite, Feliz. Pra delirio da galera. Após o show, o coletivo da Verdurada ainda serviu um jantar vegetariano grátis, muito bom. A Verdurada continua sendo um dos eventos que mais da gosto de ir prestigiar. Agora é ficar no aguardo da próxima.