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A verdade da camera ocular

rock

Do Romantismo ao Emo. The story repeats itself.

Postado por Guilherme Marce... em sex, 17/10/2008 - 00:42

Emo não é um gênero musical, é um termo que se caracteriza mais pelas suas letras do que estilo musical, e por isso vemos de bandas hardcore a pop-punk, de góticos a nerds, sendo considerados emo. As letras são introspectivas e solitárias, contrario ao tipo de letras das bandas punks e hardcore que haviam nos anos 80, aonde o termo surgiu durante a época da cena de Washington DC (bem retratada no livro/filme American Hardcore). Uma época em que as bandas viviam inconformadas com as situações da época e tinham letras agressivas, sobre problemas sociais, não sobre problemas pessoais. Mas então veio o Rites Of Spring, chorar suas mágoas no meio desse povo, jovens brutos que gritavam e jorravam testosterona em rodas, propondo a elevação dos sentimentos dentro de nós acima do pensamento do que esta fora, a nossa volta, com letras, cheias de subjetividade, sentimentos, misticismos, natureza, a introversão, o EU. Assim o termo surgiu (não o estilo de musica, reparem) e deu no que deu, hoje temos tudo isso o que vemos por ae.

Analisando mais amplamente, fica claro que o Emo é o Romantismo do Século XX.

Retirado do Wikipedia:
O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.

Rites Of Spring
Rites of Spring

Não faz sentido?
Já falei que o emo se caracteriza por suas letras, por isso tem muito mais base artística e filosófica, assim como o romantismo. É só comparar letras dessas bandas da época, como aqui embaixo, uma comparação entre uma letra do Minor Threat (de letras punk) e do Rites Of Spring (de letras emo), bandas da mesma época, com integrantes que depois se juntaram para formar o clássico Fugazi:

Rites of Spring - Drink Deep Minor Threat - Guilty Of Being White
Drink deep, it's just a taste, and it might not come this way again,
I believe in moments, transparent moment, moments in grace when you've got to stake your faith

(but why do I confine, when all I want is release?)

It moves inside you, it stays outside you,
and its not something that I could prove,
or could chose, to be moved.
Yes its a promise, and its a threat,
and its not something that I'll let you for get,
not just yet, not just yet

(but why do I chase when all I want is near?)

If its not the rule then its always the case,
good intentions get fractured, good intentions get replaced,
so close to reach but so hard to hold,
the only chance you get is past your control, it's so hard, it's so hard.

Drink deep, its just a taste and it might not come this way again,
time to surrender, sweet surrender of all things in time, all things one place, one place.

I'm sorry
For something I didn't do
Lynched somebody
But I don't know who
You blame me for slavery
A hundred years before I was born

GUILTY OF BEING WHITE [x4]

I'm sorry
For something I didn't do
Lynched somebody
But I don't know who
You blame me for slavery
A hundred years before I was born

GUILTY OF BEING WHITE [x4]

I'm a convict
GUILTY
Of a racist crime
GUILTY
I've only served
GUILTY
19 years of my time

I'm sorry
For something I didn't do
Lynched somebody
But I don't know who
You blame me for slavery
A hundred years before I was born

GUILTY OF BEING WHITE

O Romantismo, assim como ocorrera no Renascimento, descobrira a importância da arte no processo do conhecimento e do crescimento humano. Não é a toa então, que o emo chegou trazendo mais melodia ao hardcore, mais tons e mais harmonia, trazendo mais literatura as suas letras, mais sentimentos as suas canções. Além de Rites Of Spring, nomes como Sunny Day Real Estate e Jawbreaker deixam isso bem claro.

Blake Schwarzenbach Jawbreaker Jets to Brazil
Blake Schwarzenbach (Jawbreaker, Jets to Brazil)

Uma diferença a ser notada, é que a história se repete cada vez mais rapidamente. Se antes esse processo levava séculos, agora leva apenas décadas.

Outra diferença a ser observada, é que o emo que falei até aqui, difere um pouco do emo que vemos na mídia hoje em dia. Uma coisa não mudou, o emo ainda é coisa de letra, não de som, talvez por isso a enorme resistência das bandas em se declararem como sendo do gênero emo.

Foi na virada para esse novo século que o emo adquiriu força para ganhar o mundo e o mainstream, com sua terceira geração de bandas, com nomes como Dashboard Confessional, Jimmy Eat World e Thursday, a primeira geração underground a ter a internet como apoio, como ferramenta que os catapultaram ao reconhecimento amplo, até internacional e em curto espaço de tempo. Aonde jovens, aqueles norte-americanos que durante o dia eram zoados na escola, os tornando introvertidos e excluídos, se embrenhavam em salas de bate papos, fóruns e blogs. La, o suporte entre as pessoas acabou sendo mais emocional e psicológico, do que, por exemplo como é no hardcore, de assistência e colaboração, trabalho comunitário em conjunto, cenas surgindo em bairros, não em sites da internet. Foi através de fóruns e blogs, que jovens acharam alivio e amizade, trocando musica (Ano: 99, Napster) que os tocavam, que pareciam falar por eles, com eles.
romantismo emo

Só pra terminar, depois do Romantismo, veio o Modernismo.
Tendência vanguardista que rompe com padrões rígidos e caminha para uma criação mais livre, surgida internacionalmente nas artes plásticas e na literatura no final do século XIX e início do século XX. É uma reação às escolas artísticas do passado. Como resultado, desenvolve-se novos estilos, entre eles o expressionismo, o cubismo, o dadá, o surrealismo e o futurismo.
Para entender o porque algumas manifestações culturais de certas tribos ganham força, é necessário ter essa visão mais ampla de tudo.

Fonte: Wikipedia

E pra puxar uma outra comparação com a febre new-rave super pra frentex, não é difícil, não?

É! A história se repete. Sempre!

Dominatrix, Andrea Martins e o Império dos Sonhos e Upset Kids @ Inferno 05/10/08

Postado por Guilherme Marce... em seg, 06/10/2008 - 21:12

Noite de Domingo geralmente deixa as pessoas apáticas e preguiçosas. Afinal, é o fim do fim de semana e o momento de preparação para o começo de mais uma semana de trabalho e estudos para a maioria das pessoas. Mas nem todos vivem nessa apátia, nem todos gostam de passar uma noite de domingo vendo Fantástico ou morgando na internet.
Como eu sou uma dessas pessoas, resolvi dar uma saida no Domingo a noite para conferir algum show. O escolhido foi esse, no Inferno, situado na Rua Augusta em São Paulo, por ser próximo de casa e por ter uma banda que gosto e que ha tempos não via ao vivo, Dominatrix.

Cheguei no momento exato em que a primeira banda começava seu show, a Upset Kids. Bom, não era bem o que eu imaginava. Eu estranhei o fato de uma banda com nome Upset Kids (Crianças Chateadas) serem todas alegres, sorridentes, brilhantes, coloridas e saltitantes. Talvez um nome como Shinny Happy Angry Kids combinaria melhor com a banda. Mas as criticas param por ae. O som é bem enérgico e exaltante, achei a banda bem empolgante, um bom contraste em relação a maioria das bandas com jeitão de "Domingo a noite" que vejo por ae. Eles parecem sedentos por rock e com vontade de fazer acontecer, se continuarem nesse pique, vão longe.

Outro contraste, foi a banda que veio a seguir, Andrea Martins e o Império dos Sonhos, ela que era vocalista da banda baiana Canto dos Malditos na Terra do Nunca, esta agora com esse novo projeto seguindo uma sonoridade semelhante. O som é um rock com pegada forte e densa, e se o nome, Império dos Sonhos for uma influência do filme de mesmo nome do diretor David Lynch, então tudo fara mais sentido ainda, pois esse é um filme que se aventura entre o mundo da realidade e dos sonhos de forma intensa e misteriosa, no meio urbano, com sexualidade e um clima noir, impressões que a banda também passou. Valeu a pena ter saido de casa ontem e ter conhecido essa banda.

Mas eu tinha ido mesmo pra rever Dominatrix, o ultimo show que tinha visto faz alguns anos já, no Hangar 110. A banda, que começou em 1995, fazendo bombar aquela coisa riot grrl na cena brasileira, trazendo mais garotas pro rock e incitando debates feministas, estão mais maduras e agora cantam em português também, mas ainda continuam com a garra e vontade juvenil, fazendo um bom hardcore feminista. A injeção de sangue novo na banda deve ter ajudado nisso também. Esse foi o segundo show da nova baixista, Adriessa (Anti Corpus, Crucified, Sons Of A Guns entre outras), que mostrou paixão e muito animo, coisa de quem já era fã antes mesmo de subir ao palco com elas. Gostei de ter visto a banda ainda no gás, até gravando um album novo, que tera participação de Andrea Martins (sim, a do Império dos Sonhos) em uma musica que tocaram juntas la. Como são namoradas, ficou uma cena bonita de se ver, em um clima bem romantico, sem perder o ritmo do rock.

E que a chama do hardcore, nunca se apague. Um fim de semana, vendo Garage Fuzz a todo vapor gravando dvd e Dominatrix na correria me deixam contente, a qualidade, a criatividade e a paixão pelo negócio, sempre prevalecem e permanecem. Não é destaque, fase ou moda. E estão sempre por ai, para quem quiser ver, de domingo a domingo ...

Andrea Martins e o Império dos Sonhos - A Falta @ Inferno

Andrea Martins e o Império dos Sonhos - Sinta Vontade de Ficar @ Inferno

Andrea Martins e o Império dos Sonhos - A Paz Onde Ela Esta @ Inferno

Andrea Martins e o Império dos Sonhos - Tanto Mar @ Inferno

Dominatrix & Andrea Martins @ Inferno

Dominatrix @ Inferno

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